Quem me conhece sabe o valor que eu dou para as pessoas. Minha vida gira em torno de fazer o melhor para meus amigos, seja os ajudando com uma boa risada, uma piada, seja sendo um ombro amigo, seja dando um chocolate, fazendo um bolo, comprando um mimo. Eu gosto de ser assim.
Muitas vezes me magoei com isso, porque esperava, mesmo sem admitir - querendo ser um "espírito evoluído" - que tivesse o mesmo tratamento de volta. Queria que todos dessem à mim tamanha importância que dou à eles. Mas isso é impossível, pois as pessoas são diferentes umas das outras, e cada um demonstra de uma forma muito pessoal, e nem sempre como a gente espera. Me decepcionei, chorei, me magoei muito com isso, e um dia decidi que nunca mais seria assim. Durou 5 minutos. Não consegui, porque a alegria de ver o sorriso no rosto de um amigo para mim é inexplicável.
Ao vir para Londres, um mundo novo, todo desconhecido, a gente se entrega à pessoas novas, confia, ama, a amizade vira de infância, é tudo intenso, e quase sempre maravilhoso. Continuei com meu jeito e apanhei, mas também descobri uma coisa maravilhosa. 2 pessoas especiais...
A primeira, uma amiga de infância, desde os tempos de escola, com uma amizade nunca antes abalada. Mas morar junto é complicado, é dividir problemas, angústia, cansaço, personalidade. É ouvir, reclamar e fingir que não ouve também. É compartilhar frustrações. Foi difícil, foram brigas infindas, mudança de casa, de quarto, rancor, mágoa. Mas a segunda pessoa especial me definiu bem o que é isso: um relacionamento entre irmãs, onde não existe limite de respeito, com uma convivência intensa, uma disputa de espaço. Irmãs. Amigas. Mais que isso, AMOR. É querer o bem dando bronca, é passar a mão na cabeça contra a vontade. É dividir a cama, o prato, o garfo - e a escova de dente por acidente! É cortar o cabelo, a franja, pintar, fazer a unha, escova... É ficar sem shampoo no meio do banho, é dividir a toalha no primeiro dia de viagem - e carregar a bagagem pesada que não era sua. É dormir 2 horas de sono entre a balada e o trabalho com a amiga bêbada que não conseguia nem subir no beliche. É ouvir duzentas vezes a mesma história, e rir!
A segunda, uma colega-amiga de faculdade, onde os trabalhos e rotinas sempre atrapalharam uma convivência mais estreita. Uma pessoa especial, que sempre esteve presente em festas e aniversários, em pagodes, baladas, churrascos. Uma amiga que sempre tentava reunir a turma e todo mundo sempre furava. Um dia, ela por acaso decidiu vir pra Londres, sem saber que eu vinha, e sem nem acreditar que eu realmente viria. Vamos morar juntas lá? Ah, ok... sem fé.
E ela chegou. E com ela, figuras de linguagem, uma boca muito suja, um mau humor do cão e uma amizade... simplesmente nunca antes imaginada. Virou um amuleto, um ponto de apoio, uma confidente. Com ela, novas histórias, segredos, trocas de roupas, confissões, risadas, danças (ela tem É o Tchan no iTunes) e aprendizado. Com ela, a corrida, as tentativas de dieta, o aumento da compulsão pelo chocolate. Veio também o namorado dela, que nem veio, tá num país vizinho, mas virou "parceiraço".
E ela chegou. E com ela, figuras de linguagem, uma boca muito suja, um mau humor do cão e uma amizade... simplesmente nunca antes imaginada. Virou um amuleto, um ponto de apoio, uma confidente. Com ela, novas histórias, segredos, trocas de roupas, confissões, risadas, danças (ela tem É o Tchan no iTunes) e aprendizado. Com ela, a corrida, as tentativas de dieta, o aumento da compulsão pelo chocolate. Veio também o namorado dela, que nem veio, tá num país vizinho, mas virou "parceiraço".
Eu não passei um dia sequer em Londres sem dar risada com elas. sem reclamar, sem sofrer, sem camelar, mas sem me divertir. Deve haver alguma explicação espiritual do porquê estamos aqui juntas. E com elas, eu descobri que sim, eu tenho muitos amigos especiais que se importam comigo assim como eu me importo com eles. Eu precisei delas e elas estavam lá pra mim. Eu preciso delas e elas estão aqui pra mim. Eu chorei, eu sofri, elas me consolaram. Eu quero, elas fazem. E se elas quiserem, eu faço também.
A fase mais díficil da minha vida foi compartilhada com duas pessoas, Valéria e Adriana, que não mediram esforços pra me apoiar, pra me ajudar, pra me consolar e me fazerem rir de novo. Saudade, muita saudade, dor - Zé Meningite - mas muita dor mesmo. Tristeza. Decepção. Nunca vai existir palavras para agradecê-las.
Mas a Vall e a Dri estão pra ir embora. Vão deixar uma Michelle que vai tentar absorver e utilizar tudo que ela aprendeu com as duas pessoas mais especiais que Deus não poderia colocar na vida dela em melhor hora. E a Michelle aprendeu que fazer o bem continua sendo indispensável, mas ela aprendeu a ponderar. Que os amigos verdadeiros são que se importarão sempre e são com quem eu devo passar meu tempo. Aprendeu a se conhecer e ponderar seus sentimentos também. Ela vai ficar aqui fazendo esta "lição de casa", porque quando voltar ela vai ter que reportar tudo para estas duas pessoas que não se cansam de me perguntar como estou, se eu comi, pra eu não beber, pra eu cuidar do braço, pra eu arrumar minhas coisas...

No comments:
Post a Comment